Miradores

25 abril, 2017

O Destruidor de Corações

https://www.angelarium.net/

 O vaticínio me atinge! 
Perscruta-me... 

E o tempo que passou, 
E fiquei me divertindo. 

A energia esgotou-se, 
Ela, que parecia infinda. 


https://www.slideshare.net/michelesouza186/o-corao-do-mestre-khaled-khanalesiter-crowley

Meus olhos agora jazem sem vida. 

E sentiram pena, 
E tristeza, 
E desespero. 

Fiquei sem musa, 
Sem inspiração... 
http://almightyjohnsons.wikia.com/wiki/J%C3%B6rmungandr


Eu sorri e disse: 

Não te preocupes, sou como Jörmungandr! 
E, como ele, não possuo coração. 

Para que eu o tenha destroçado... 
Pois agora somente o ódio em mim fervilha!




09 novembro, 2016

*Sou...*

 

Sou...

destino incerto, estrada sem andarilho.

Sou gente, deus, animal, sou o que vejo, o que vês.
Sou gota d'água, estopim e pavio.

Sou a bomba, sou início, meio e fim.


Eu sou cinzas, sou cena de crime. Testemunha e suspeito.
Sou luz e escuridão. Sou Criador e Criatura.

Sou a praga sem salvação.


Sou cicatriz, mágoa, vida e morte.
Sou Allah, Krşna, Śiva, Buda, Lúcifer e Jesus.

Sou a estrada pro abismo, indo na direção certa.

Sou o que quero ser.
Sou o que me permito ser.

Nas voltas de um tempo que não passou. Não tento ser, simplesmente sou o que eu sou.




*Frankj Costa*

20 agosto, 2016

*De Profundis Intrudo*


A alma se rompeu, 

sangue escorrendo pelas minhas mãos... 

O olho turva e a luz apaga-se uma vez mais... 

 

Pois a Flor do Abismo desabrochou. 

Consumiu meu coração... 

E nada restou. 

 

Então a Escuridão toma conta de todos os corações: 

Quebrados, mutilados, destruídos. 

Não há mais motivos para viver... 

 

Sempre há uma prisão neste mundo: um sonho, uma paixão. 

Nunca mais, a esperança de que a luz voltará a brilhar.



 

04 julho, 2016

A um amigo que não está mais aqui... Sua Epifania Final!


Estamos no quarto dia de julho do ano 2016.
No terceiro dia sou de algo que ocorrera no segundo.

E esta é a última carta que escrevo, e a primeira que ele não lerá.

Diego Vieira Machado foi o nome que recebeu ao nascer; mas ele não cabia num nome só. Só os pobres de espírito, os tacanhos e mesquinhos, os medíocres cabem em apenas um nome, então ele tinha outros: Diego J Dick era um, D.J.Dicks outro, zefirus.

Para todos estes nomes, para todas as coisas que puderam ser, para todas as coisas que poderiam ser; ele também era Ninho!

Ele era meu amigo! Ninho era quem ele era para nós - seus amigos - um pouco também nossa mascote da turma, nosso queridinho!!

Nosso amigo


E então chegou a notícia:

"Amigos republiclandianos, perdemos um dos membros do nosso grupo. O nosso amigo Diego J Dick teve sua vida brutalmente ceifada
Para mim é triste saber a forma como aconteceu, em pensar em seu sofrimento e desamparo.
Cada um recebe a notícia da sua forma. Eu que gostava tanto dele, que compartilhávamos carinho e sorrisos,
Eu a recebo com pesar e com desejo, dentro de minhas crenças, que sua alma esteja em um lugar melhor...
Até um dia, meu amado Ninho!"

Morreu porquê?!

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Revoltante, aviltante,  humilhante! Raiva.
E nenhuma dessas palavras descreve meus olhos ardendo, meu corpo tremendo...

E, como desgraça sempre vende jornal, vários canais noticiosos começaram a ecoar a morte de meu amigo. Então foi a vez das pessoas, aquelas mesmas pobres de espírito, os tacanhos e mesquinhos, os medíocres; de tirarem sua máscara de "cidadão de bem" e mostrar o que realmente são:

Cada comentário:
"só dão esse ibope pq era gay, morre cidadão de bem e ninguém liga" (será que lembram eles do pedreiro Amarildo? Ou de Fabiane Maria de Jesus??);
"Até parece q todo homossexual é santo". Não, nem todo homossexual é santo, assim como nem todo 'hétero' é santo; não existe isso de santidade.

Reduzem a pessoa ao fato de ser gay. Como se isso justificasse a morte dele.
Desqualificam a pessoa...

O que direi agora será cruel, tão cruel quanto o que muitos disseram, pensaram, riram pelas costas e se fingiram de sentidos: lhes desejo tormento igual ao que meu amigo Ninho passou, em quantidade e qualidade.

Não, isto não fará sentir-me melhor. Levará um tempo, não sei quanto, e depois irei melhorar um pouco mais; mas sem ele pra me fazer rir com as bobagens que às vezes ele fazia questão de contar. Sem mais eu poder fazê-lo rir com minha implicância imbecil...
E eu sei que nossos amigos devem tá pensando em coisa igual.
Deixando-nos com saudades; mas livre do sofrimento.

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Neste momento vivemos o egoísmo da morte; porque ele se foi, tá livre. E para seus amigos ficou essa herança de triste e saudade e desgosto e raiva.




Não sei se existe pós-morte, não sei se existe alma, reencarnação, deus ou qualquer outra bugiganga consolatória destas que as pessoas gostam de dizer. Me dói ver alguém dizer "deus o chamou para o seu lado."; porque penso 'Porra. jeovah, e precisava deixar espancarem meu amigo até a morte!??! Não podia o feito dormir placidamente e simplesmente não acordar, como foi com Marília Pêra?' Que acontece com esse "amor" que todos dizem que esta divindade sente???
Mas isso não muda o fato simples que meu amigo Diego não morreu simplesmente, foi ASSASSINADO por esta gente hipócrita, covarde, pobres de espírito, tacanha e mesquinha; os medíocres.



Mas, para ele, que dizíamos que escreveríamos um livro juntos, dedico este quase-poema: Que ele agora tenha sua

O corpo já não é habitado.
A alma não sei se existe.
Mas se há a eternidade,
Ela é as lembranças que
temos daqueles que amamos.

E que estas recordações
jamais empalideçam.
Que se fortaleçam na
certeza que agora ele não
sofrerá nunca mais novamente.






02 janeiro, 2016

Da Comiseração e Outras Tormentas


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Se pela força da distância, ou dos erros cometidos,
ou da vaidade ferida, você se ausenta...
Por que sinto tua falta?

Qual o por que desta saudade?
É só você que me provoca essa saudade vazia...

Então não te vejo, mas imagino tuas expressões, tua voz, teu cheiro...
E gostaria de pensar que pela força que há na saudade você voltará.

Sigo a andar, às vozes, em minha cabeça, recito nomes de flores...
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"

E sigo a pensar...

Eu quis ficar aqui mas não podia
a hora é de deixar

Já vou embora
O meu caminho a ti não conduzia

Eu, velho e cansado, me deito
Enquanto a Morte espreita... 

No meu canto eu lhe dizia
Que ele faz parte de minhas alegrias...

Ninguém do erro livre está. 
Nem da incompreensão, 

Ou do equívoco,
do mal-entendido.

Mas ainda bate em meu coração 
Uma esperança infantil do reatar. 

Como um cão que aguarda a volta de seu tutor, 
Anseio em teus braços mais uma vez repousar. 

Pois amor é o que há mim. 
E tu és sempre a razão de meu sorrir...